
Do beijo que escapei.
Da coragem que não tive.
Do sim que não disse.
Da chance que desperdicei.
Tive medo de nunca esquecer.
Perdi de viver.
Perdi de ganhar.
Perdi sem jogar.
Arrependimento.
Vivo querendo.
Sinto faltando.
Não esqueço.

Do beijo que escapei.
Da coragem que não tive.
Do sim que não disse.
Da chance que desperdicei.
Tive medo de nunca esquecer.
Perdi de viver.
Perdi de ganhar.
Perdi sem jogar.
Arrependimento.
Vivo querendo.
Sinto faltando.
Não esqueço.
Às vezes sinto como se faltasse um pedaço de mim.
Como se uma parte da minha história tivesse sido roubada.
Às vezes, quando dá tempo.
Às vezes, quando paro e penso.
Ou se penso pouco e sinto muito.
Meus relacionamentos foram insanos.
Uns mais que outros, um mais que todos.
Tamanha insanidade encontrava sua verdade na minha pouca idade e habitual intensidade. Mas desisti desse tipo de amor.
É exaustivo, consome, cansa.
Transforma o muito em pouco, o suficiente em nada, dois em um.
Converte a paixão em compromisso,
a vontade de estar junto em obrigação
e o tesão em monótona repetição.
Agora eu quero amor, não quero compromisso.
Quero cumplicidade, beijos, leveza, aconchego.
Quero um amor para ser vivido, não para ser jurado.
Não quero promessas, não quero culpa, nem desculpas.
Dispenso cobranças, dependências e sacrifícios.
Prefiro respeito, paixão, confiança, admiração.
Troco todas as obrigações por verdadeiros desejos.
Troco duas metades por dois inteiros.
Troco compromisso por livre e espontânea vontade.
Troco o eterno por enquanto for sincero.
Descarto o amor impositivo e abraço o romance que só existe como escolha.
Troco o amor insano por um mais livre, leve, íntimo e gostoso.

27 anos de alegrias e fra(n)quezas.
27 anos de dúvidas e (in)certezas.
27 anos de emoção além da razão.
27 anos para começar a entender um não.
27 anos de orgulhos e vaidades.
27 anos para descobrir que há força na sensibilidade.
27 anos de mudanças, tentativas e crescimento.
27 anos de sonhos, contos e (des)encantos.
27 anos de brincadeiras, amor e desejos.
27 anos de buscas, angústias e beijos.
27 anos de impulsos, amassos, segredos.
27 anos dançando palavras, sensações e (re)começos.
27 anos de atos, ímpetos, confissões, desapegos.
27 anos que pulsam desassossego.
27 anos descobrindo mentiras e inventando verdades.
27 anos de intensidade excessiva e falta de serenidade.
27 anos tropeçando no pretérito imperfeito.
27 anos querendo saber tudo, aprender muito e não perder nada.
27 anos que deixaram marcas: de pessoas, experiências e faltas.
27 anos de laços, planos, conquistas, promessas e falhas.
27 anos de idade: realidade, liberdade, possibilidades, responsabilidade.
27 anos de compromisso. Comigo.
A perfeição não erra, não falta, não perde, não chora.
Também não existe, eu sei.
Mesmo assim eu acho muito chato não ser.
Entendemos como normal aquilo que é aceitável ser/fazer/escolher/viver.
Normal é o que tanta gente é que todo mundo pode ser.
Normal é fazer o mesmo.
É a escolha que dispensa o pensamento.
Normal é não correr o risco de viver “errado”.
Anormal é qualquer escolha diferente dessas.
Anormal é ser “do contra”. Contra tudo que é igual, correto, normal.
Parece até mais autêntico e corajoso.
Mas um é apenas o ingênuo avesso do outro.
Para ser autêntico não basta virar o normal ao contrário.
E a diferença a qualquer preço pode até ser covardia.
Autêntico é encontrar o que é normal pra você.
Normal é descobrir como você gosta de ser.
Normal é quando faz sentido pra você.
É ter coragem de respeitar os próprios limites e desejos.
Nada é mais normal do que você escolher a forma como vai viver.
Esse normal é o que vivo buscando ser.
Descobri que ter a coragem de querer é mais importante do que conseguir o que se pede. Aceitar os próprios desejos sem medo é conectar-se consigo mesmo independente do outro e do futuro. É libertar-se das expectativas, das frustrações, do impossível, da prisão do outro. É permitir-se desejar o que quiser e ter a sensação de realizar, nem que seja um pouquinho, cada verdade que não se cala.